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A NOSSA GRANDE RIQUEZA CULTURAL, SURGIDA NAS ENTRANHAS DO POVO NORDESTINO, CORRE UM SÉRIO RISCO DE DESAPARECER!

 

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O povo nordestino, muito alegre e festivo, a partir de um ano de bom de inverno e uma farta colheita, escolheu o dia em que se comemora o nascimento de São João Batista, o profeta primo de Jesus Cristo, escolhido para preparar os “caminhos do Senhor”, para  celebrar as riquezas do pão que vem do roçado, que garantirá o sustento de todas as famílias nordestinas durante todo o ano.

Foi assim, que de forma espontânea e criativa, surgiu os festejos juninos ou Joaninos, que resultariam na maior festa que o nosso povo comemora durante o ano.  E como surgiu os festejos Joaninos, surgiram também outras expressões culturais como o Coco de roda, Reisado, Bumba Meu Boi, Caboclos de Lança, Maracatu, Pastoril, Festa do Divino, Chegada de Lenha, Baião, Xaxado, Xote, Arrasta pé, Toadas, Aboios,  Pega de Boi no Mato, Bacamarteiros, etc.

Todos esses folguedos e festas folclóricas populares tiveram o período de ascensão, valorização, com sua popularização entre o nosso meio, durante muitas décadas e até séculos, chegando a seu ápice,  nas décadas de setenta e oitenta do século passado.

Mas, todas essas tradições folclóricas, nossos folguedos e nossas festas populares e religiosas, estão passando por um período de dificuldade na sua preservação, visto que, a mercantilização, mercenarização, a busca do lucro fácil e rápido de grupos econômicos ligados as grandes empresas de radiodifusão, de grandes “bandas” da música pornofônica e de forró “estilizado”, que tem uma criatividade muito grande em se tratando de “lixo musical”, proporcionando a descaracterização e de desconstrução  dos nossos valores culturais, pois esses senhores proprietários dessas indústrias radiofônicas  e “bandas de plástico”,  agredindo a todos diuturnamente e violentando os nossos valores e raízes culturais.

Poucos artistas, intelectuais, produtores culturais, proprietários de Restaurantes e casas regionais que propiciam  uma boa comida e música regional, como também, compositores,   forrozeiros, sanfoneiros, entre outros tantos defensores de nossas raízes e tradições culturais, tem se manifestado contra esse tipo de violência e de guerra injusta travada por esse setor macroeconômico da radiodifusão e de produção de música estilizada, no sentido de formar uma corrente de opinião e de posição política em defesa das nossas raízes, que sirva de pressão quanto ao papel do Ministério da Cultura e da Fundarpe, no incentivo e promoção dos nossos bens culturais imateriais, que precisam ser imediatamente valorizados e preservados, sob pena de sua extinção,  que com certeza, causará um retrocesso e uma imbecilização da memória histórica e  cultural da atual e das futuras  gerações,  com consequências drásticas para o desenvolvimento cultural e educacional da nossa gente.

Fatos estranhos, que aconteceram nesse São João de 2016, são apenas alguns alertas e avisos para o risco da morte trágica dos nossos valores e das nossas tradições culturais. O Caso que se deu com o Produtor Cultural Paulo Wanderley, em Fortaleza – CE, quando presenciou seu filho sendo tratorado por um espetáculo de lixo musical, no Colégio Christus, um dos mais renomados educandários de Fortaleza, onde seu filho estuda,  que o deixou escandalizado e o valor do Cachê de Whesley Safadão, que fechou contrato com a prefeitura de Caruaru para se apresentar durante duas horas, nos festejos juninos, por quinhentos e cinquenta e sete mil reais, sendo um escárnio com a população do município, que passa por um longo período de estiagem,  que já dura cinco anos e uma afronta ao povo, que em uma apresentação de um “lixo musical”, chamado de “forró  estilizado”, se gasta uma soma tão alta de recursos públicos, que daria para financiar cem bandas de forró pé de serra.

Chegou a hora de darmos um basta nesta pouca vergonha, posta em prática principalmente pelo governo do estado e prefeitos dos municípios, que estão causando um prejuízo profundo aos nossos valores e as nossas tradições artísticas e culturais, além do empresariado de vários ramos de atividades econômicas, que sem ter interesse em preservar a riqueza do povo, fruto de uma resistência secular, incentivam a criação e a valorização dessas atrações artísticas, que não passam de vulgarização e “modernização violenta” de um estilo musical que põe em risco, tudo o nosso arcabouço cultural construído pelas gerações passadas e atuais, que deram ao nordeste, o título de uma das regiões do mundo,  com a maior e melhor diversificação cultural da humanidade.

Contem conosco!

Josenildo Vieira de Mello

Blog: Associação Cultural Patativa do Assaré

Patativadoassare.com

 

 

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