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 MANOEL FILOMENO DE MENEZES – MANOEL FILÓ

“Cantar devia ter sido
A minha primeira escola
Ter os dedos calejados
Pelas cordas da viola
Cantar como o pássaro preso
Na solidão da gaiola.”

De todos os poetas sertanejos que conheci, Manoel Filomeno de Menezes foi sem dúvida o mais elegante, sereno, engraçado e generoso.

O seu improviso não foi só no verso, foi também na convivência com amigos e conhecidos.MF

Tive a honra de com ele viajar por quase um mês, no ano de 2005, durante o VII Congresso de Cantadores do Recife. Cidades do interior de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília foram nosso roteiro.

Na volta, almoçamos num restaurante chinês, aqui no Recife, estivemos no meu apartamento nas Graças, nos despedimos e, uma semana depois, recebi a notícia da sua morte em Arcoverde, provocada por uma hemorragia gástrica.

Recordo que, uma vez, voltando de São José do Egito, encontrei-o na bodega de Raimundo, no povoado dos Grossos, um entroncamento que vai dar nos Velhos Cariris paraibanos.

Bem vestido, de chapéu preto, tomando uma cachaça, pelo que percebi, sem pressa e sem direção.

Sempre que passo por lá, indo ou voltando de São José, tenho a impressão de ver a bela figura do poeta sentado num tamborete com um copo apoiado no balcão daquela bodega do mato.

Sem pressa e sem direção, assim como sempre caminhou a sua boêmia alma.

* * *

Do livro “No sertão onde eu vivia”

CAPA_11

Preço: R$ 40,00. Aquisição diretamente com o autor: zelitonunes@gmail.com

Fonte: Besta Fubana » Blog Archive » MANOEL FILOMENO DE MENEZES – MANOEL FILÓ

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