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Tiririca dos Crioulos: um quilombo-indígena

 

Esta é uma ação que toma como base a importância dos Inventários Participativos do Patrimônio Cultural e da Educação Patrimonial de caráter libertadora.

Através de uma busca participativa pelo acervo cultural da comunidade e suas diversas formas de expressão, as ações buscaram a produção de um “Documento Sonoro” (contendo canções ritualísticas), vídeos, fotografias, desenhos e um livro didático (materiais produzidos em co-autorias).

Procuramos, portanto, criar espaços de formação para professoras, professores e comunidade em geral, facilitando ambientes de respeito ao exercitar a prática da fala e da escuta. Ao partir de “oficinas de formação”, os materiais foram gerados em pesquisas conduzidas pelos próprios moradores. Através de reuniões, colhemos as impressões sobre as obras criadas em co-autorias, visando a sua difusão através da internet. Em alguns casos, ao se respeitar a autonomia da coletividade, algumas informações não foram compartilhadas externamente, sendo considerado “segredo”.

Ações educativas e dialéticas assim conduzidas podem propiciar múltiplos (re)encontros, ampliados através de uma “rede digital”. Esse é o desejo dos que compõem a Tiririca dos Crioulos, quando afirmam que querem sair de um “Buraco” (devido a um processo histórico de marginalização e negligenciamento de uma comunidade negra no sertão) e conquistarem um “Mundo” de possibilidades. Desta forma, agindo dentro de uma perspectiva da Educação Patrimonial, pensamos que esta ação colabora para o reconhecimento da diversidade étnica no sexto município mais pobre de Pernambuco (Carnaubeira da Penha).

As “oficinas de formação” oferecidas extravasaram os temas principais e auxiliam na busca por direitos e mobilizações políticas da comunidade. Consideramos que os bens patrimoniais são parte de elementos necessários para a ampliação de direitos humanos, ao promover a interculturalidade pautada no respeito pela diversidade identitária.

A ação atuou naquilo que uma das representantes da Tiririca dos Crioulos afirmou como o maior patrimônio: o Amor, a União.

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