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 Zé Catota, Metralhadora do Repente

José Lopes Neto nasceu no Riachão, município de São José do Egito, em 05 de agosto de 1917 e faleceu 22 de abril de 2009, com 92 anos de idade.

Filho de José Lopes Filho e de Euflasina Maria da Conceição, o popular Zé Catota fez do improviso sua marca registrada, o que lhe rendeu o reconhecimento da imprensa pernambucana, aparição no Fantástico e a gravação de especiais para televisões da França e da Holanda.
Seu domínio com a poesia e a viola rendeu-lhe o título de Metralhadora do Repente.
Zé Catota era considerado o mais antigo poeta da cidade e pertencia à última geração de grandes cantadores de São José do Egito. Ele nasceu no dia 5 de agosto de 1917 e iniciou sua carreira artística aos 17 anos de idade. O improviso era sua marca registrada.

Há pouco tempo, em sua casa modesta na cidade de São José, o poeta foi perguntado, por um eventual visitante, quais dos cantadores antigos ainda restavam pra contar a historia da poesia, o mestre respondeu com um improviso:

Dos cantadores antigos
Tem eu e Pedro Amorim
Eu aqui em São José
Pedro lá em Itapetim
Por lá ninguém lembra dele
Aqui esquecem de mim

Como diria Pinto do Monteiro, “A cascavel do repente”, “Poeta é aquele que tira de onde não tem e bota aonde não cabe”.
Até nas flores se vê
A diferença da sorte
Umas enfeitam a vida

Outras enfeitam a morte”.

Zé Catota a sextilha que o mestre pega na deixa  um verso do cantador Expedito
:”Em breve irei açoitar os vates do Pajeú”. Zé Catota disse:

Saia de Caruaru,

Passe pelo Moxotó,
Vá açoitar os poetas
De Patos a Piancó,
Na volta, apanhe dos três:
Louro, Zé Catota e Jó.

Cantando com Pedro Amorim, quando este improvisou a sextilha:
Vivo muito bem na vida
E tu vives atrasado.
Possuo fazenda, açude
E cana do outro lado.
Tu só tens um Jeep velho,
Além de velho, quebrado.

Zé Catota disse:

Chamar fazenda sem gado,
Eu acho melhor que deixe;
A sua cana cortada
Talvez não dê nem um feixe.
Esse açude de que fala,
Tem mais dono do que peixe.

Num congresso em Caruaru,, Mocinha de Passira terminando um verso dizendo:“Eu não acredito em homem e acredite quem quiser”

Catota pegou a deixa e metralhou com esse verso:

Não acredito em mulher
Não tem essa, nem aquela
Seja branca, seja preta
Nem no tempo de donzela
Que eu não creio em fechadura
Que toda chave dá nela.

Falando em noite mal-assombrada, Catota fez os seguinte versos:

Na noite que eu nasci

O diabo pisava em brasa

A peitica no quintal

Cantava e batia asas

Passava um rasga mortalha

Rasgando em cima da casa

Na noite que eu nasci

Na terra deu-se um abalo

Ladrava cão no munturo

Corria burro e Cavalo

E as galinhas no puleiro

Cantava mais do que galo

Fontes: Poesia de Cordel

Nordeste.com
Cantigas e Cantos

Fonte: Cantigas e Cantos: POESIA: Zé Catota, Metralhadora do Repente

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